Como transformar o “modo de estudo” das IAs em um aliado na preparação para o Enem e vestibulares
Guia do Estudante - 13/3/2026 - [gif]
Autor: Beatriz Arruda
Não é novidade que a inteligência artificial generativa ganhou espaço entre os vestibulandos e passou a fazer parte da rotina de estudos de quem se prepara para o Enem e outros vestibulares. Uma pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), de 2025, mostra que sete em cada dez estudantes do ensino médio já utilizam ferramentas de IA para pesquisas escolares.
Mas, no vestibular, quem precisa resolver cada uma das questões e escrever a redação é o próprio candidato. Não existe a opção de perguntar à IA. Por isso, o grande desafio é encarar a inteligência artificial como um apoio ao aprendizado e não um um atalho para obter respostas prontas.
De olho nessa necessidade de utilizar a tecnologia de forma mais estratégica, duas plataformas trouxeram atualizações voltadas a incentivar o estudo com IA. No ChatGPT, o recurso aparece como o modo “Estudar e aprender”, enquanto no Google Gemini surge como o modo “Aprendizado Guiado”. A lógica deles é bem parecida: em vez de revelar imediatamente a resposta de uma questão, a ferramenta procura explicar o raciocínio, conduzindo o estudante até a resolução. Funciona, basicamente, como um tutor!
Modo “Estudar e aprender” do ChatGPT
Segundo a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, o modo de estudos da plataforma foi desenvolvido com a colaboração de professores, cientistas e especialistas em pedagogia. Por isso, o modo “Estudar e Aprender” foca em explicações guiadas, incentiva o raciocínio e estimula a aprendizagem ativa.
Pensando em vocês, vestibulandos, decidimos testar o recurso por aqui! Após ativar o modo de estudos, enviamos ao chat o seguinte pedido (ou prompt, para os mais familiarizados com o vocabulário tecnológico): “Sou estudante do Ensino Médio e minha rotina de estudos é focada no Enem. Me explique o que é osmose e mostre como ela acontece nas células”.
O resultado? A ferramenta estruturou a resposta em blocos menores para facilitar o entendimento, trouxe um exemplo e ofereceu um mini resumo voltado à memorização. Mas a parte mais interessante apareceu no final: a IA propôs uma situação envolvendo osmose, pedindo a resposta correta e a justificativa. Ou seja, em vez de encerrar a conversa, transformou a explicação em uma pergunta e colocou o estudante no centro do processo de aprendizagem.
Modo “Aprendizado Guiado” do Gemini
Assim como a OpenAI, o Google também criou o modo de estudo do Gemini em parceria com educadores, especialistas em pedagogia e os próprios estudantes. A proposta do modo “Aprendizado Guiado” é incentivar a participação do aluno por meio de perguntas que ajudam a aprofundar a compreensão dos conteúdos. Além disso, as respostas também podem incluir imagens, diagramas e vídeos.
E, claro, também testamos essa funcionalidade! Desta vez, pedimos a resposta de uma questão de matemática do Enem. Como prometido, o resultado não foi dado de imediato. O Gemini conduziu toda a resolução passo a passo, trazendo explicações de como resolver cada etapa e perguntando pelos resultados dos cálculos. Caso estivesse certo, avançávamos para a próxima etapa. E ele também apontava quando havia erro. No final, chegamos ao resultado correto e o Gemini ainda apresentou uma recapitulação de todas as etapas que foram feitas.
Usando a IA com senso crítico
Os “modos de estudo” das plataformas de inteligência artificial abrem uma série de possibilidades para quem está se preparando para o vestibular. Dá para usar esses recursos para entender conceitos difíceis, compreender o passo a passo da resolução de questões de exatas e gerar perguntas de revisão.
No entanto, antes de transformar a IA em companheira de estudo, vale lembrar que ela erra! Esse fenômeno é conhecido como “alucinação”, termo usado quando a IA apresenta respostas incorretas ou até mesmo inventa informações de forma convincente. Por isso, ao usar ferramentas como o ChatGPT ou o Gemini para estudar, é fundamental checar as informações em materiais confiáveis, como livros didáticos e apostilas, e sempre discutir as dúvidas com professores.

