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09 ABR 2020

Veja alternativas para fazer chamadas em vídeo com familiares, amigos e colegas


GaúchaZH - 07/04/2020 - [gif]


Autor: Juliana Bublitz
Assunto: Segurança

Três especialistas ouvidos por GaúchaZH ajudam a definir qual é a melhor opção de aplicativo para cada situação, das reuniões de trabalho ao happy hour virtual

Desde que o Zoom - programa de videochamadas alçado à fama com o avanço do coronavírus - caiu em descrédito, adeptos das teleconferências buscam alternativas para superar os entraves do isolamento social. Consultados por GaúchaZH, três especialistas avaliam a confiabilidade da ferramenta, elencam uma série de opções e ajudam a definir o melhor aplicativo para cada situação, das reuniões de trabalho online ao happy hour virtual.

Até então com um público restrito, o aplicativo Zoom Cloud Meetings explodiu nas preferências de usuários em confinamento mundo afora. De uma hora para outra, tornou-se uma das soluções tecnológicas mais usadas durante a pandemia, quando milhares de pessoas se viram obrigadas a ficar em casa, apartadas do convívio diário. O problema é que, nos últimos dias, ciberataques e episódios de violação de privacidade lançaram dúvidas sobre a novidade.

Com receio de ter dados roubados, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um comunicado recomendando aos servidores a desinstalação imediata do app. Ainda que o desenvolvedor tenha anunciado correções no sistema, muita gente decidiu fazer o mesmo, com medo da ação de criminosos virtuais e de trolls - pessoas mal-intencionadas que invadem conversas virtuais para perturbar e criar conflitos.

— O Zoom cresceu muito rápido, principalmente, devido à facilidade de utilização da ferramenta, que surgiu como uma forma ágil e prática de se conectar com familiares ou grupos de trabalho. Mas não é a única alternativa. Existem diversas soluções bem interessantes para quem quer conversar com os amigos, fazer reuniões com os colegas ou dar aulas — garante Mateus Raeder, coordenador do curso de Ciência da Computação da Unisinos.

É até difícil listar todas as possibilidades. Entre as mais conhecidas, estão o  WhatsApp, que quase todo mundo tem no celular, o Skype, o Facebook Messenger e o Google Hangout. Cada uma é adequada a um tipo de interação (leia os detalhes no fim do texto).

Por exemplo: no Whats, as ligações em vídeo podem incluir, no máximo, quatro pessoas. Ou seja: servem apenas para pequenos grupos. Já o Skype e o Messenger aceitam até 50 participantes. No Zoom, agora alvo de desconfiança, são até cem.

Cada escolha tem prós e contras e, em alguns casos, é preciso pagar para ter o que se deseja. Isso vale, em especial, para grandes corporações, que muitas vezes precisam de canais mais robustos de comunicação.

Há ainda opções menos conhecidas, mas que aos poucos ganham os holofotes. Professor de Comunicação Digital da PUCRS, Eduardo Pellanda cita alguns aplicativos que, em outros tempos, poderiam soar inusitados. Em meio à ameaça da covid-19, essas criações acabam por ajudar parte da população a enfrentar a solidão do home office e a saudade dos entes queridos.

É o caso do Houseparty, algo como “festa em casa”, em tradução livre, criado especificamente para reunir a turma de sempre, dos amigos mais chegados, sem riscos de contágio. Há até a opção de jogos em grupo. Outro exemplo citado por Pellanda é o Discord, até então focado no público gamer, que agora também vem sendo adotado por empresas.

— Funciona mais ou menos assim: o áudio fica aberto entre os colegas de trabalho, cada um na sua casa. Na prática, é como se eles continuassem trabalhando juntos normalmente, batendo papo lado a lado — explica Pellanda.

Seja qual for a alternativa escolhida, é importante manter alguns cuidados para evitar outro susto. Coordenador do Grupo de Confiabilidade e Segurança da Informação da PUCRS, Avelino Zorzo lembra que as brechas do Zoom só vieram à tona com o uso massivo da ferramenta e que dificilmente há aplicativos 100% blindados. Por isso, é preciso seguir regras básicas, como não abrir qualquer link e priorizar apps com procedência reconhecida.

— O Zoom tinha furos, assim como outras ferramentas têm. E elas existem aos montes. Algumas dicas valem sempre, em qualquer caso. Uma delas é dar uma boa olhada em sites como o internetsegura.br e o cartilha.cert.br, onde existe muita informação didática, para pessoas de todas as idades, sobre como se proteger — recomenda o professor da Escola Politécnica da PUCRS.

Depois que tudo isso passar, essa nova forma de comunicação tende a permanecer entre nós.

— É um caminho sem volta — projeta Pellanda.