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01 OUT 2020

Brasileiro está mais conectado e preocupado com fake news, diz Febraban


Valor Econômico - 1/10/2020 - [gif]


Autor: Raquel Brandão
Assunto: TIC Domicílios

Para 80% dos brasileiros, o uso da internet traz mais benefícios que prejuízos

O brasileiro está mais conectado, mas também mais desconfiado, segundo a nova pesquisa Observatório Febraban. Segundo o levantamento, 73% apontam melhoria na qualidade dos serviços de internet no Brasil nos últimos cinco anos e 87% afirmam que não viveriam sem conexão ou sentiriam muito a sua falta. Além disso, a média de horas de uso é de 7,9 horas diárias, acima dos 6,4 horas da média mundial. No entanto, 86% manifestam preocupação com ‘fake news’ em blogs e redes sociais, em maior ou menor intensidade.

A preocupação com a disseminação de notícias falsas se estende à insegurança em relação à proteção dos dados na internet: 54% se sentem pouco ou nada seguros e 65% dizem tomar cuidado e adotar medidas de proteção.

“Apesar dos avanços nessa área de segurança de dados e de informações, a maior parte dos internautas mostra-se insatisfeita com a atuação do poder público e das autoridades no Brasil no combate às fake news na internet e nas redes sociais. Para 66%, essas autoridades não estão fazendo o suficiente”, aponta a pesquisa.

A amostra da Febraban é nacional, com 3 mil entrevistados da população adulta brasileira, de 16 anos ou mais, e que acessa a internet. As entrevistas foram feitas de 17 a 22 de setembro.

Apenas 7% dos brasileiros afirmam nunca checar notícias ou conteúdos que leem, recebem ou compartilham para se prevenir de fake news. A presença desse tipo de cuidado se amplia nos estratos mais altos de escolaridade e renda, e diminui entre os de idade mais avançada.

Quando a notícia é divulgada em sites ou blogs, 44% dizem confiar na informação e 43%, não. Se ela está em redes sociais, 60% não confiam e 30% confiam. Já quando a informação chega pelo WhatsApp, 67% desconfiam e 24% confiam. Além disso, 54% dos respondentes disseram estar muito preocupados com fake news, em especial as pessoas de 45 a 59 anos e com poder aquisitivo mais alto. Entre os acima de 60 anos, 18% dizem não estar preocupados, o maior índice dos grupos ouvidos.

Ainda assim, para 80% dos brasileiros, o uso da internet traz mais benefícios que prejuízos. Esse sentimento só é menor entre os idosos, mas ainda é reportado por 71% desse grupo.

Sobre o dispositivo de conexão, o celular aparece com 97% das citações, computador com 69%, a televisão com 39% e o tablet com 15%. Para os aplicativos mais utilizados 77% das citações eram de redes sociais, 25% notícias, 24% bancos e 21% entretenimento.

Mais conectados, 35% dos brasileiros ouvidos pela nova edição do Observatório Febraban disseram esperar aumentar suas atividades on-line (35%) no período pós-pandemia. Apenas 9% esperam diminuí-las, e 55% acreditam que não haverá mudanças em seus hábitos digitais. Hoje, o país é o quarto mais conectado do mundo segundo dados da pesquisa TIC Domicílios 2019, divulgada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

Entre os itens observados, acompanhar notícias, acessar redes sociais, estudar e conversar com amigos e família por vídeo foi o que os entrevistados mais citaram em aumento de frequência durante a pandemia. Também foram bastante citados: trabalhar, usar serviços bancários, serviços públicos, fazer compras e usar serviços de streaming.

Quase 90% dos entrevistados (87%) declaram que não conseguiriam viver ou sentiriam muita falta da internet em suas vidas. “O acesso à internet integrou-se definitivamente à ‘cesta básica’ de produtos/serviços das famílias”, destaca a pesquisa.

Segundo a Febrabran, a pesquisa mostra que a covid-19 deixou explícita a importância da internet. “Não é mais possível vencer o fosso da desigualdade de oportunidades sem garantir a inclusão digital, e não apenas no que se refere ao acesso a uma conexão ou a um dispositivo, mas também com relação a ferramentas de ensino-aprendizagem e ao desenvolvimento de habilidades para o melhor aproveitamento da internet. As evidências são de que a pandemia deve acelerar o já intenso processo de digitalização da vida social.”