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Eles 'confiam' mais no Google do que nos pais

Diário de São Paulo - 22/04/2012 - [ gif ]
Autor: Nany Fadil
Assunto: Indicadores CETIC.br

A “geração Google” não se arrisca mais a tirar as dúvidas e recorrer aos pais na hora de fazer a tarefa ou trabalhos escolares. Livros e enciclopédias também não são “acessados”. As dúvidas são lançadas diretamente na internet e as respostas selecionadas conforme o que aprenderam em aula.

“Prefiro pesquisar no Google porque é mais fácil, mais simples e mais rápido”, explica Breno, 11 anos. Filho da jornalista Carol Soler, o estudante recorreu à mãe até os 9 anos, depois se “jogou” no mundo das “respostas virtuais”.

Crianças e adolescentes de Rio Preto reproduzem o mesmo comportamento dos ingleses.

Estudo do centro de pesquisas Birmingham Science, divulgado este mês, mostra que 54% dos britânicos entre seis e 15 anos recorrem primeiramente ao Google quando têm qualquer dúvida.

Segundo especialistas, as crianças hoje crescem em um ambiente digital e por isso é aceitável esse padrão.

Desde cedo / Breno começou a usar a internet aos 8 anos. Por meio do Google, chegava aos joguinhos. Com o tempo passou a fazer parte das redes sociais – Facebook, MSN, Twitter e Skype – e continua a pesquisar tudo que é do seu interesse. “Hoje [na terça] fui ver o significado de uma palavra em inglês, antes de ir para a aula”.

A mãe gostaria de estar mais presente na educação de Breno. “Sempre que chego do trabalho ele já fez a lição. É muito raro ele me procurar para perguntar alguma coisa. A internet está barrando esse contato. Mas não tenho como interferir, ele só tira boas notas na escola”, diz Carol.

João Pedro Laguna da Silva, 11, e José Otávio Barbosa Filho, 10, amigos de Breno, também não largam da internet.

“Quando eu tenho qualquer dúvida eu pergunto ao Google”, diz José Otávio. “Nem tudo meus pais sabem responder, por isso consulto o Google. Só pergunto para o professor quando não consigo encontrar a resposta”, completa João Pedro.

Paixão / O site de pesquisas também é usado pelos amigos para se inteirarem sobre o que rola no mundo do skate, uma paixão entre eles. “Todos os dias eu vejo histórias de  skatistases, fotos, imagens tudo que se relaciona ao assunto”, diz Breno.

A decoradora Samantha Dalla Pria, 38, mãe de Maria Victória, 13, instalou programa de controle de sites e de armanezamento dos endereços pesquisados no notebook e no netbook da filha. O primeiro contato de Maria Victória com a internet foi aos 5 anos. O irmão mais velho criou um Orkut para ela. “Eu comecei a usar o Google para encontrar as coisas que eu tinha curiosidade e não parei mais. Em outubro, eu vou para a Disney e já sei onde encontrar tudo o que eu quero trazer.”

Samantha não se importa que a filha use a internet para tirar dúvidas e aprender mais sobre os assuntos que a interessam. “Até estimulo, mas ela tem só duas horas por dia para ficar no computador. Mais do que isso, considero prejudicial.”

Curiosa / Antes de dar entrevista ao BOM DIA, Maria Victória lançou no Google: “por que pesquisar no Google?”. “Dá dicas de como fazer as pesquisas e mostra coisas antigas. É legal”.

A estudante e a amiga Maria Eduarda Brassaloti, 12, também recorrem diariamente ao site de pesquisas para  ficar a par das novidades do mundo da moda. “Queremos ser estilistas e já até desenhamos modelos de roupas. Vemos filmes, manequins, acessórios tudo o que nos interessa”, diz Duda, que não pergunta nada aos pais por dizer que eles são ocupados. “O Google pode me auxiliar o dia inteiro, em qualquer dúvida, para qualquer trabalho. Meus pais não podem ficar assim tão disponíveis.”

Livros, não / Uma particularidade entre todos os entrevistados é que nenhum consulta livros [fora os indicados pela escola] para pesquisas de trabalhos. Também não se mostraram muito interessados em literatura. Só Maria Eduarda soube dizer que a Barsa é uma enciclopédia. Uma das crianças respondeu que Barsa é Barcelona, na Espanha. A enciclopédia que todos conhecem é, obviamente, a Wikipedia. “Não pergunto aos meus pais porque o Google explica melhor. Também não pesquiso em livros. Seria muito mais demorado do que na internet”, diz Pedro Gabriel de Almeida Tonetti, 12.

Estímulo ao saber deve começar cedo
Até os 6 anos, as brincadeiras são fundamentais no desenvolvimento psicomotor, mas é preciso estimular a sede por conhecimento desde cedo.

Pai deve “pegar no pé” dos filhos no estudo
Os pais devem acompanhar de perto o desenvolvimento educacional do filho. Estudos mostram que quanto mais os pais se envolvem, melhores serão as notas.

Permanência na internet deve ser negociada com crianças e adolescentes

Estudo do CGI (Comitê Gestor da Internet no Brasil) com crianças de 5 a 9 anos mostrou que 21% dos pais não controlam nem restringem o uso da internet pelos filhos. A pesquisa também apontou que 90% das crianças entrevistadas usam a rede para acessar jogos online.

Estudiosos em educação infanto-juvenil afirmam que o ideal não é proibir, mas negociar.  É o que faz a jornalista Carol Soler. No período das férias, o filho, Breno, ficava cinco horas por dia na internet. As aulas voltaram e o limite são duas horas.

Para ter uma rotina saudável, crianças e adolescentes precisam incluir estudos, esportes e atividades ao ar livre. Hoje, também não tem como ficar de fora o acesso à internet.  “Quero que ele brinque na área de lazer do prédio. Não fique só no computador.”

O mais importante, segundo os estudiosos, é que os pais acompanhem o conteúdo a que eles têm acesso. Para evitar acesso a informações que possam ser prejudiciais à formação do filho, Carol instalou um programa de controle de sites.

A música é uma ótima ferramenta para estimular a inteligência. Estudo publicado na revista Psychological Science mostra que a formação musical pode melhorar em 90% a inteligência de crianças entre 4 e 6 anos. Estimula o vocabulário, tempo de reação e precisão. Cursos extracurriculares são importantes para o desenvolvimento do intelecto infantil.