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Campuseiro da Campus Party testa expansão da web

RAC - 14/02/2012 - [ gif ]
Autor: Glaucia Santinello
Assunto: IPv6

Os sete mil acampados na feira Campus Party, em São Paulo, participaram de um experimento coordenado com países da América Latina e do Caribe para a implementação do novo IPv6

Os 7 mil participantes da quinta edição da Campus Party Brasil, evento de inovação, ciência, entretenimento e cultura digital, em São Paulo, testaram, junto com outros internautas da América Latina e Caribe, o novo Protocolo da Internet: o IPv6. Os testes fizeram parte do cronograma de implantação da nova versão do Internet Protocol (IP), prevista para janeiro de 2013, e que deve garantir a expansão da web nos próximos anos. 

Na semana semana passada, sites, universidades, empresas e provedores de acesso e serviços na internet, em toda a América Latina e Caribe, ativaram o IPv6 no teste coordenado, incluindo os campuseiros, plugados em uma conexão de 20GB. 

Desde 1983, o protocolo utilizado na Internet é o Internet Protocol (IP) versão 4, ou simplesmente IPv4. Segundo suas regras, cada computador deve ter um identificador único, que permite encontrá-lo entre todos os outros, sem que haja dúvidas. Esse identificador é o número IP, endereço IP, ou simplesmente IP. Essa versão tem um espaço de 32 bits, o que permite milhões de combinações possíveis, mas que não é mais suficiente para garantir a expansão da internet. 

Segundo informações do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), os endereços IPv4 livres estão acabando e já esgotaram-se na entidade que administra o estoque central, chamada de ICANN/IANA. Eles também se esgotaram no APNIC, entidade que distribui os IPs na região da Ásia e Pacífico. 

Ainda de acordo com o NIC.br, na Europa, região administrada pelo RIPE, é previsto que acabem em um ou dois meses. No Brasil, onde os IPs são distribuídos pelo NIC.br, eles devem esgotar-se entre o final de 2012 e meados de 2014. 

O esgotamento dos endereços do IPv4 já é uma realidade e prejudica o crescimento e a evolução da internet. É por isso que o novo protocolo foi criado. Ele vem sendo utilizado em pequena escala desde sua padronização, em 1998, mas agora é o momento em que deve ser implantado em toda a internet”, explicou o gerente do Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologias de Redes e Operações do NIC.br, Antônio Moreiras, que participou de uma palestra na Campus Party sobre o tema. 

O campuseiro Diego Martinez Garcia, 22 anos, estudante de informática em gestão de negócios, que testou o novo protocolo durante o evento, avalia de forma positiva a implantação IPv6. Para ele, outros aspectos deverão ser melhorados em relação à versão 4, além de solucionar o problema da escassez de endereços. 

Segundo Garcia, o IPv6 foi baseado nos sucessos e erros de seu antecessor para que ele fosse processado mais facilmente pelos roteadores. “O novo protocolo está mais simples e flexível” e será mais simples identificar computadores envolvidos em incidentes de segurança. 

Para os usuários médios, a mudança não afetará em praticamente nada. Algumas aplicações que funcionavam sobre redes IPv4 deverão ser recompiladas para redes IPv6, mas os usuários comuns nem se darão conta da mudança do IP.