CRN Brasil - 03/01/2012 -
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Autor: Newton Garzon Moreira Cesar
Assunto: Indicadores CETIC.br
"Enquanto isso, é continuar considerando o sistema tributário brasileiro como ruim ou muito ruim”
A crescente sofisticação das economias leva a uma necessidade cada vez maior da gestão financeira em qualquer empreendimento. E a aventura de adentrarmos um cenário financeiro passa por trabalhar com probabilidades. Tudo o que desejamos conquistar tem um valor e a probabilidade de ganhar ou perder deve ser planejada e calculada para permitir o que chamamos de “jogar com riscos calculados”.
Atualmente, qualquer empreendimento tem que ter numa das pontas uma sólida engenharia financeira.
Buscando no dicionário a definição da palavra finanças, descobrimos que é arte e ciência na gestão de ativos financeiros. Assim, percebemos que o funcionamento dos sistemas financeiros dentro de nossa vida pessoal ou de empresa é um campo onde influi o racional e o emocional.
Creio que devemos considerar, num cenário financeiro, algumas probabilidades, por exemplo, as questões comportamentais, cujo principal foco é identificar e compreender as ilusões que fazem com que pessoas cometam erros sistemáticos de avaliação de valores, probabilidades e riscos.
No Brasil, as mudanças trazidas principalmente pela estabilização da economia e pela queda da inflação alteraram a forma como a população lida com seus recursos financeiros, o que nos leva à necessária educação financeira pessoal, que influencia diretamente as decisões econômicas dos indivíduos e das famílias. E diversas dimensões importantes moldam as decisões financeiras das pessoas: Padrões de vida material (renda/consumo), saúde, educação, atividades pessoais (incluindo trabalho), conexões e relações sociais, insegurança econômica e física.
Podemos, então, traçar alguns cenários dentro dos quais podemos aventar algumas teorias aleatórias para o próximo ano de 2012:
1 O crescimento previsto pelo Bacen (Banco Central) para 2012 de cerca de 4% significa crescer uma Santa Catarina no ano (valor relativo ao PIB interno Brasil). Considerando o cenário internacional, o crescimento será estimulado pelo crédito farto para aumento do consumo interno, geração de emprego e baixa dos juros. Assim, vamos trabalhar para fazer os 12 meses nos primeiros oito meses do ano.
2A distribuição de renda continuará evoluindo pelo aumento consistente na participação da mulher no mundo corporativo, pela longevidade e maior tempo de presença no mercado de trabalho, e também pelas mudanças sociais e aspirações em alta das novas classes B,C e D. Aí é pé no acelerador e buscar os clientes.
3A nova classe média está ávida por consumir. Com crédito farto (inclusive muitos comerciantes têm funding próprio para ofertar crédito aos consumidores), existe uma grande massa ascendendo para o consumo e levará muito tempo para esse movimento se desacelerar. A expectativa é firmada na ascensão das classe C e D e pela manutenção da política de geração de emprego formal. Então, cuidado com a inadimplência e esforço na geração do caixa.
4 Setores de tecnologia continuam a manter ritmo forte e as probabilidades aumentam com crescente comunicação de massa e em rede, com a democratização do acesso à informação (67% dos brasileiros têm acesso à internet em 2011, tendendo a 100% em 2015, segundo a CGI.br). O grande gargalo continua sendo a disponibilidade de mão de obra especializada em qualidade e quantidade.
5 E o sistema tributário, que é muito complexo e dá muito trabalho às empresas? O governo tem demonstrado esforços nesse sentido, ao ampliar o enquadramento no Simples (regime simplificado de tributação para empresas, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte). Enquanto isso, é continuar considerando o sistema tributário brasileiro “ruim” ou “muito ruim”.
6 Análise mais detalhada dos dados do IBGE indica que a demanda interna mantém o forte ritmo de crescimento com a absorção doméstica crescendo 7% ao ano, resultado da expansão do crédito e do crescimento do salário real. Vale lembrar que a taxa de desemprego, atualmente em 6,3%, se encontra no menor patamar da série histórica.
7 Paradoxalmente, há uma possível redução da produção (num ambiente de demanda aquecida), devido às importações, em um cenário de aumento das exportações, combinado com leve alta da produção interna. O aumento das importações evidencia uma desindustrialização do País, pois o produto estrangeiro está tomando lugar da produção nacional. Estamos em um mundo globalizado, não é ruim importar. O problema é que a indústria não consegue competir aqui e tem que exportar, enquanto o consumo local está sendo substituído pelos produtos de fora.
8 Investimentos mantêm tendência de aumento devido a fatores macroeconômicos, como solidez, estabilidade monetária, competição acirrada, mobilidade social e aumento do capital estrangeiro. Somados à atratividade de ter o maior potencial global para produção de bioenergia, energias renováveis, auto-suficiência em petróleo e avanços tecnológicos contínuos.
9 Fundamentos diferenciais em nossa economia proporcionam abundância e diversidade de capital natural, alta diversidade produtiva, potenciais para grandes projetos, reservas cambiais cinco vezes superiores à dívida externa de curto prazo. Nosso sistema financeiro como referência mundial em tecnologia operacional torna-se atrativo para o investimento de grandes players.
10 O Copom de outubro reiterou que a taxa de juros continuará a ser ajustada para baixo e que o Banco Central está de prontidão para acelerar o ritmo dos cortes, caso a deterioração externa piore. Também detectou a desaceleração inflacionária e atividade mais moderada nos emergentes. Aponta que o pior da inflação já passou e a partir de agora a convergência para a meta nos próximos 12 meses será mais clara. Além disso, o cenário de desaceleração externa ajuda a formar uma leitura mais benigna para a formação de preços.
11 No cenário externo, a crise de 2008/2009 impôs significativo aumento do endividamento das economias maduras, mas não restabeleceu o crescimento sustentado. Há nítida crise de confiança quanto à sustentabilidade de dívidas soberanas na União Europeia, que estão contagiando economias de maior porte da região e as instituições financeiras locais. Prevê-se em 2012 uma forte deterioração das expectativas de crescimento mundial, um nítido esgotamento das políticas monetárias e fiscal nas economias maduras. Não atingirá o nível de tragédia, mas vai dar trabalho.
12 No cenário interno, o mercado de trabalho anuncia uma evolução, com tendência positiva ao aumento da formalização, recuo no tempo de procura por colocação e redução no número de horas trabalhadas. Uma política de governo centrada na promoção dos objetivos de máximo emprego, preços estáveis, taxas de juros moderadas de longo prazo e controle inflacionário.
Então, se considerarmos tudo, nossa pátria amada, a segunda economia das Américas, de acordo com as leis das finanças probabilísticas, continuará sendo um belo lugar para se viver e investir. A não ser que os Maias estejam certos e tudo terminará em 21/12/2012.