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Inteligência em rede

O Dia - 11/08/2010 - [ gif ]
Autor: Marina Estarque
Assunto: Internet

Evento que conquistou brasileiros pelo YouTube ganha edições presenciais no País

É bem provável que você já tenha visto uma das palestras do TED (Tecnologia, Entretenimento e Design) e não saiba. As conferências são um sucesso na Internet, especialmente no YouTube, mas muitas pessoas não sabem de onde elas vêm. O TED, que surgiu em 1984 como uma conferência anual na Califórnia, publica suas palestras na rede, com legendas em 50 idiomas diferentes, com o objetivo de difundir ideias inovadoras. As conferências já foram acessadas por mais de 50 milhões de pessoas em 150 países.

As apresentações abordam os mais variados temas, mas têm em comum o lema “ideias que merecem ser espalhadas” e a crença no poder que elas têm de mudar o mundo. Os palestrantes podem ser pessoas desconhecidas, como Jill Taylor, uma neurocirurgiã que descreve a experiência pessoal de ter um derrame, ou William Kamkwamba, que, aos 14 anos, construiu um moinho de vento para geração de eletricidade em sua aldeia natal, em Malauí, na África. Em outros casos, são figuras de renome internacional como o físico teórico Stephen Hawking, a primeira-dama americana Michelle Obama e o ex-presidente americano Bill Clinton.

Até o ano passado, os brasileiros tinham acesso ao TED somente pela Internet. Mas, com a realização do TEDxSP em novembro do ano passado, o Brasil se tornou palco de diversos TEDx, eventos feitos nos moldes do TED original, organizados de forma independente e local. Desde novembro de 2009, ocorreram três grandes edições do evento no Brasil, além de cinco menores. O TEDxSP, primeira experiência brasileira, foi considerado um dos quatro mais importantes do mundo, ao lado do TEDxParis, TEDxTokyo e TEDxAmsterdã. Outras três conferências de grande porte estão previstas até o fim do ano no país, inclusive uma na Amazônia, às margens do Rio Negro.

No sábado passado, a Universidade de São Paulo recebeu o TEDxUSP, que contou com 15 palestrantes e quase mil participantes. O evento foi transmitido ao vivo pela Internet e, segundo organizadores, mais de oito mil pessoas acompanharam a transmissão on-line. Quem esteve presente pôde ouvir as falas dos jornalistas Juca Kfour e Marcelo Tas; a secretária estadual de direitos da pessoa com deficiência de São Paulo, Linamara Battistella; a regente Ligia Amadio, entre outros.

O engenheiro agrônomo e mestre em comunicação, Hernani Dimantas, palestrante no evento, apresentou projetos na área de internet e educação. Ele ressaltou, sobre a inclusão digital, que não basta apenas ter um computador e acesso à Internet, é preciso se apropriar da tecnologia. “Isso sim é transformador”, disse.

A estudante de gestão ambiental, Júlia Sodré, de 22 anos, considerou o evento inspirador: “Você sai repensando tudo. Percebe que sempre dá tempo de mudar, basta saber o que realmente quer fazer.”

Inclusão Digital

Um dos destaques do TEDxUSP foi Demi Getschko, presidente do NIC.br, que cuida do registro de domínios na Internet no País, e que é considerado o ‘pai da Internet no Brasil’, título que não lhe agrada muito.

Qual a sua opinião sobre a banda larga no Brasil?
“Não estou tão preocupado com o fato da banda ser larga ou não,mas com estabilidade e disponibilidade. O usuário tem que poder acessar à Internet a hora que quiser, sem precisar discar, sofrer quedas na conexão ou ter um taxímetro cobrando por minutos de uso.”

Como expandir o acesso?
“A inclusão digital no país deve ser orquestrada por múltiplos atores. Deixar isso nas mãos do governo ou das empresas, somente, não é uma boa ideia. Porque a iniciativa privada não vai atender o interior da Amazônia e, por outro lado, se não tiver competição, os preços serão muito altos.”

Internet deve ser gratuita?
“De graça, não é sustentável. Se cobrarmos preços próximos dos praticados internacionalmente, já seria bastante razoável.”

Qual o valor da Internet para a educação?
“A rede trouxe um ambiente novo e muito rico. A educação foi a primeira beneficiada. Associada à informação online, deve-se reforçar educação tradicional e formação de caráter, pois a Internet não é boa nisso”

O que significa estar excluído da rede?
“É tão grave quanto não saber ler. A pessoa incluída tem informação instantânea e de qualidade. Um brasileiro sem isso é meio brasileiro”