Comitê Gestor da Internet no Brasil
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Radicalismo Online

Jornal de Santa Catarina - 21/07/2010 - [ gif ]
Assunto: Pesquisa TIC

Estudo da Universidade de São Paulo e da Fundação Getulio Vargas sobre o uso da internet nas eleições de 2006 e 2008 mostra que o debate político em blogs e redes sociais não abriu espaço para a discussão de ideias, mas sim para a expressão de radicalismos. É o que temos constatado: ainda que os candidatos disputem audiência neste mundo novo, as comunidades criadas em torno de partidos e candidaturas quase sempre repetem pensamentos estereotipados, difundem preconceitos ideológicos ou promovem ataques agressivos.

A emergência da internet na sociedade moderna, processo ainda em desenvolvimento, trouxe promessas de que ela seria o veículo ideal para revitalizar o debate político, abrindo espaços para a livre circulação de ideias, para o confronto democrático de projetos e para a ampla divulgação das biografias dos candidatos. A pesquisa é, de alguma maneira, a constatação de uma decepção, pois nenhum desses objetivos está sendo atingido. A experiência norte-americana de uso desse instrumento nas eleições presidenciais de 2008, quando a eleição de Barack Obama se creditou, em boa parte, às informações e ao trabalho partidário feito em redes sociais, comunidades, blogs e sites especializados, não está se reproduzindo no Brasil. Segundo dados do Comitê Gestor da Internet, cerca de 70% da população norte-americana tem acesso à internet, quase o dobro dos 39% de brasileiros nessa condição.

Cabe aos partidos políticos desautorizar a tendência de uso equivocado e até criminoso dos instrumentos online. Com a ajuda dos órgãos de fiscalização, o país precisa transformar esse campo de batalha minado de parcialidades em ferramenta de progresso social e político e na plataforma de um debate saudável, plural e construtivo.