Zero Hora - 17/02/2010 -
[ gif ]
Autor: Guilherme Neves
Assunto: Internet
Recursos, como agregadores de sites, tornam a memorização de endereços de internet cada vez menos importante
Há 15 anos, este jornal lhe ensinaria a acessar um site da seguinte forma: “vá à barra de endereços do seu navegador e digite http://...”. Hoje, ainda publicamos a URL (sigla para Uniform Resource Locator, que é o endereço de uma página na web), mas com certeza o leitor chegaria ao mesmo lugar apenas com um nome. Buscadores de internet, favoritos e links encurtados são recursos que fazem da digitação do endereço completo de um site algo cada vez mais insignificante. Será que esse hábito vai acabar?
A URL é o que diz para o navegador onde buscar as informações que o usuário quer acessar. Atualmente, a necessidade técnica garante a sua sobrevida. Na memória do internauta, porém, a história é outra.
– Hoje, não é necessário guardar tanto os nomes dos sites. É uma tendência natural. As páginas de busca têm uma capacidade muito grande de filtrar e conduzir o internauta – explica Almir Meira Alves, professor de Redes de Computadores e Telefonia IP da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP).
Coordenador do Curso de Comunicação Digital da Unisinos, Daniel Bittencourt ressalta que, desde o seu surgimento, a internet foi se descomplicando. Do número de IP – protocolo de comunicação entre máquinas–, passando pela URL, chegamos aos sites que agregam endereços de forma colaborativa (confira exemplos ao lado).
– Foi uma década e meia em que as pessoas começaram a amadurecer o acesso à informação. Serviços como o Delicious oferecem um processo de construção para consultar sites similares aos que guardei, armazenados por outras pessoas – ressalta Bittencourt.
Além de buscadores e favoritos, o uso da internet ofereceu outras alternativas de navegação. O estudante de Administração Eduardo Mendes, 21 anos, por exemplo, usa o buscador para chegar a sites conhecidos. As novidades, encontra via Twitter.
– Eu sigo uma pessoa, ela acaba retuitando (reenviando uma mensagem para a lista) e eu acabo acompanhando ou procurando o RSS (sistema de aviso de atualizações em sites) para seguir. Mas raramente digito o endereço – revela Mendes.
Volta a pergunta: a URL vai acabar?
– Você vai aliviar uma forma de lembrar dela, com programas de busca e outros, mas não há formas de se substituir a URL num curto prazo – conclui Demi Getschko, presidente do Comitê Gestor de Internet no Brasil (CGI.br).