Clipping
Veículo: TEC Sapo.pt
Data: 16/11/2007
Assunto: IGF
ICANN assume independência política e recusa criação de organismo de regulação da Internet
Ao longo dos últimos três dias, a interferência
dos Estados Unidos nas direcções que a Internet
deve tomar tem estado na ordem do dia no
Fórum
para a Governanção da Internet, a decorrer
no Rio de Janeiro.
O facto da associação ter sido criada pelo governo
norte-americano - que patrocinou a maior parte do desenvolvimento
inicial da Internet - para ajudar a administrar as funções
chave da Web, e do país manter o poder de veto sobre as
decisões do
ICANN relacionadas
com a atribuição de nomes de domínios levam
a maioria dos activos na indústria a aclamarem os Estados
Unidos como "entidade" de influência indirecta
na Internet.
O suposto domínio que o país tem no controlo das
decisões ou nas alegadas pressões provenientes
das relações políticas entre países
tem sido alvo de críticas desde o início do Fórum
o que levou Paul Twomey, CEO do ICANN, a pronunciar-se em nome
da organização que gere os domínios na Internet.
Nas palavras do responsável, o ICANN não se relaciona
com questões políticas e, como tal, não
quer ser envolvido em problemas relacionados com as políticas
internacionais, porque só assim, conseguirá manter
a credibilidade da organização, declarou ao IDG
Now.
Depois de ouvir diversas críticas respeitantes à ligação
dos EUA ao ICANN, quer actualmente quer no passado, Twomey relembra
que do quadro da direcção da associação,
que é formado por 11 membros, apenas dois elementos são
norte-americanos, o que reflete a influência mínima
do país na entidade.
Da mesma forma que critica as opiniões contra a postura
norte-americana, o responsável também não
poupa aqueles que, como a Internet foi criada por órgãos
do país, os Estados Unidos possuem a rede e devem fechá-la
a quem não estiver de acordo com as decisões da
organização. Quanto a isto, Paul Twomey limitou-se
a referir: "tire a Internet de um mercado como o chinês,
por exemplo, e verá como o custo de vida nos EUA sobe.
Este tipo de pessoas não entende a influência revolucionária
que a web exerce na vida de qualquer um".
À parte destas realidades, o actual CEO do ICANN acredita
que é possível internacionalizar a organização,
mesmo em países que temem a proximidade histórica
entre o órgão e o Departamento de Comércio
dos EUA. Para isso será necessário apostar em investimentos
nas regiões em desenvolvimento: "se tivesse que adivinhar,
diria que teremos um grande crescimento na Ásia nos próximos
dois anos, abrindo escritórios na região",
refere o responsável.
Adicionalmente, durante os três dias, foram ainda abordados
temas como a segurança na Internet, a violência
e os perigos que a rede traz para os mais novos assim como a
possibilidade da rede vir a ser gerida por um órgão
independente, como a ONU, possibilidade que, no entender de Vint
Cerf, ex-presidente do ICANN, está fora de questão.