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Veículo: Valor Online
Data: 13/11/2007
Assunto: IGF

Universalização de internet banda larga custará pelo menos R$ 2,5 bilhões, estima ministro

O governo estima que o custo para se levar a internet de banda larga a todo o país não saia por menos de R$ 2,5 bilhões, a serem gastos nos próximos três anos. A estimativa foi feita hoje pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, que acrescentou ainda que o projeto de trocar os Postos de Serviços de Telecomunicações (PSTs) por infra-estrutura para banda larga custaria cerca de R$ 1 bilhão em investimentos necessários por parte das empresas do setor.

O governo federal poderá auxiliar as empresas com subsídios para que se atinja a meta de universalizar o acesso de alta velocidade à internet em um prazo de três anos. Segundo Costa, caso " se chegue a bom termo " , o governo pode entrar com uma parte do dinheiro necessário para a troca dos PSTs por infra-estrutura de banda larga. " E também há um comprometimento do governo federal de fazer obra de infra-estrutura nas cidades para instalação da banda larga " , disse o ministro, que participou hoje do Fórum de Governança na Internet, promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) no Rio de Janeiro.

Costa prevê ainda que os sistema G-SAC (Governo Eletrônico - Serviço de Atendimento ao Cidadão) pule de 3 mil pontos para 18 mil pontos nos próximos 12 meses. Criado no governo Fernando Henrique, o G-SAC disponibiliza pontos de utilização pública da internet via satélite e poderá passar a utilizar também sistemas de cabos e fibras óticas. Para conseguir universalizar a banda larga no país, o governo também estuda o aproveitamento das redes de transmissão de energia elétrica como suporte para cabos de fibra ótica, ou mesmo a passagem destes cabos por oleodutos e gasodutos operados pela Petrobras.

"Se conseguirmos acertar com as empresas a substituição dos PSTs, vamos cobrir 80% do território nacional", disse o ministro. "Com mais o crescimento do sistema G-SAC, chegaremos a 90% do território nacional e só ficarão de fora algumas comunidades interioranas que não estão no projeto porque precisamos fazer chegar a estrutura de energia elétrica."

O ministro fez questão de frisar ainda que, apesar das possibilidades de utilização de linhas de transmissão e de dutos da Petrobras, a meta de universalização da internet de banda larga não passa pela criação de uma estatal para gerenciar o sistema.

" O que tentamos indicar é que existem instrumentos técnicos capazes de cobrir o Brasil inteiro com uma estrutura de internet de alta velocidade. O governo pode facilitar, ajudar e quer boa relação com as empresas de telecomunicação, mas o governo não é a empresa que vai fazer " , ressaltou Costa, acrescentando que o máximo que pode acontecer é uma empresa pública coordenar o processo de universalização das redes de banda larga. " O governo não tem pretensão de explorar, nem de tomar o lugar de ninguém. Queremos apenas a participação das próprias empresas com o governo para atender as necessidades públicas. "

Costa não quis adiantar medidas concretas futuras, mas disse esperar para as próximas semanas um anúncio oficial do governo para detalhar que projetos de expansão da infra-estrutura de banda larga serão desenvolvidos no país. " O objetivo é tornar viável o acesso à internet. Hoje temos quase 3 mil municípios que não têm estrutura para receber internet de alta velocidade. "

O ministro das Comunicações criticou ainda os custos internacionais de interconexão de internet. Segundo ele, a ONU pode ajudar a reduzir os preços pagos, indicando qual tarifa poderia ser adequada. " Em alguns lugares da África e da América Latina, se não caírem os custos, vai ficar muito difícil " , afirmou.