Arquivo do Clipping 2006
Veículo: Meio & Mensagem
Data: 11/12/2006
Assunto: ICANN
O futuro da internet está no celular
Meio & Mensagem — 0 Brasil tem cerca de 32 milhões
de usuários de internet. Muitos consideram que
essa mídia já é a segunda mais importante
no País, perdendo apenas para a televisão.
Entretanto, a rede deve receberem 2006 menos de 2% do
total de investimento das empresas em publicidade. Por
que isso acontece?
Vint Cerf — É um processo. Esses dados não
querem dizer que as empresas não entendem o que é possível
fazer na Internet, mas sim que grande parte do público
que precisam atingir ainda não está online.
Por isso usam outras mídias. Tudo depende da audiência,
e o Brasil ainda tem uma parcela muito pequena da população
conectada. Apenas 28% das pessoas têm acesso à web,
sendo que só 40% destas possuem banda larga. Há,
porém, alguns dados positivos: pelo que sei, o
celular tem uma pene-tração enorme na população
brasileira (atualmente, há cerca de 96 milhões
de linhas móveis no País, segundo a Agência
Nacional de Telecomunicações, a Anatel).
Esse pode ser o caminho para que algumas das modalidades
de propaganda virtual cheguem às pessoas, em vez
de esperar que elas comprem computadores. Deve acontecer
o mesmo em outras nações.
M&M — Mas o celular tem certas limitações.
0 tamanho da tela, por exemplo.
Cerf — Concordo, mas é inegável que
a mobilidade está gerando novas oportunidades de
publicidade. As mídias digitais estão convergindo
para o celular, mesmo com as telas pequenas. Já é possível
ver pessoas assistindo a vídeos curtos por meio
desses aparelhos. Nunca me interessei muito por assistir
a alguma coisa desse modo, porque me faz lembrar dos pequenos
televisores da década de 20. Fico pensando: estou
em 2006 e gastei US$ 3 mil em um aparelho para ver televisão
como se via no começo do século passado
(risos). Mas, dependendo da informação,
esse sistema pode ser muito poderoso. Se você é fã de
futebol e tem a oportunidade de ver um gol importante,
durante 15 segundos, em qualquer lugar... isso é algo
que não tem preço. É óbvio
que as pessoas vão pagar por isso, assim como pagam
para fazer downloads de toques de celular. Nunca previ
que os ringtones seriam uma oportunidade de negócio,
mas virou.
M&M — Qual a diferença entre fazer ações
de marketing no celular e na internet?
Cerf — 0 que é interessante nesses aparelhos é a
mobilidade. Além disso, os mais avançados
já permitem que as empresas saibam exatamente a
localização de seus consumidores. Vou te
dar um exemplo: o Google
já disponibiliza em 30 cidades dos Estados Unidos
uma ferramenta que permite que os usuários de celulares
dotados de GPS tenham acesso a mapas de toda a região
em que vivem. Eles podem até obter informações
sobre o que acontece em cada localidade e os serviços
disponíveis ali. O cardápio de um restaurante,
quando inserido nesse sistema, pode ser uma ótima
forma de publicidade. Além disso, como as pessoas
clicam nos serviços em que estão interessadas, é possível
que os anunciantes percebam quais são os gostos
e os hábitos de seus consumidores.
M&M — Já se tem uma idéia de qual
seria o modelo ideal de propaganda pela internet?
Cerf — Muitas empresas têm procurado uma
fórmula para isso, utilizando banners animados,
por exemplo, mas o Google parece ter encontrado o caminho
certo para fazer esse tipo de publicidade, por meio dos
links patrocinados. Acho que o ponto principal desse modelo é descobrir
em que os usuários estão interessados e
associar o conteúdo da mensagem a aquilo que o
usuário está fazendo naquele momento exato.
Não há a mesma passividade que impera nas
mídias tradicionais, como rádio, televisão
e revistas. Quando você está na rede, geralmente
está interagindo, envolvido