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Arquivo do Clipping 2005

Veículo:Folha Online
Data: 25/05/2005
Assunto: CGI.br

Nascida na universidade, rede brasileira ganha as ruas

A internet é global, mas desde que chegou por aqui foi marcada pelo chamado "jeitinho brasileiro". A rede, que já teve caráter militar, na década de 60, e acadêmico, nas décadas de 70 e de 80, conquistou o mundo na década de 90, quando surgiu a internet comercial. Os brasileiros logo aproveitaram a novidade, que este mês comemora uma década.

"A internet brasileira é rica em conteúdo nacional", diz Demi Getschko, consultor do Comitê Gestor da Internet no Brasil (www.cg.org.br). "Tivemos participação imediata dos órgãos de mídia, como provedores e fornecedores de conteúdo, o que levou ao crescimento do conteúdo em português e à popularização do registro .br", explica Getschko.

As primeiras redes brasileiras se desenvolveram no meio acadêmico, mas não havia um protocolo que as unificasse, como veio a acontecer com a chegada do TCP/IP -conjunto de regras que permitiu a comunicação global. "Era preciso realizar truques para mandar e-mails. A feitiçaria era parte do negócio", lembra Alexandre Grojsgold, diretor de operações da Rede Nacional de Pesquisas (RNP, www.rnp.br).

Foi o Instituto Brasileiro de Análises Sócio-Econômicas (Ibase, www.ibase.org.br) que abriu a rede ao cidadão comum. Em 1989, foi criada a Alternex, com correio eletrônico e grupos de discussão. "Duas ligações diárias de DDI transmitiam a informação compactada", diz Carlos Afonso, responsável pela iniciativa.

A rede foi mais bem organizada em 1992, por conta da ECO-92, no Rio de Janeiro. Universidades e organizações montaram uma estrutura capaz de informar ao mundo o que ocorria no evento.

Em 1995, surgiu a internet comercial. "No Brasil os pequenos provedores eram sufocados pela Embratel, que, apesar de não ter dado importância para a rede nos primeiros anos, tinha agora pretensões de monopolizar o serviço", conta Antonio Tavares, presidente da Associação Brasileira dos Provedores de Acesso (Abranet, www.abranet.org).

Foi a portaria 004/95 do Ministério das Comunicações que permitiu a competição. Empresas de telefonia ficaram proibidas de fornecer o serviço ao usuário final, podendo fazê-lo apenas aos provedores. Foi criado também o Comitê Gestor da Internet no Brasil, que gerencia o registro .br.

Estima-se que em 1995 já houvesse 20 provedores e 120 mil usuários. "Logo, a internet foi capa das revistas "Time", "Veja" e "IstoÉ", tema de novela, de música do Gilberto Gil, enfim, uma esculhambação", brinca Alexandre Grojsgold, da RNP.

Universidades como a USP tornaram-se referência. "Éramos a maior central de profissionais da web, todos com 19 anos", conta o professor do Laboratório de Sistemas Integráveis da USP (www.lsi.usp.br), Marcelo Zuffo. O computador de Zuffo se tornou, de improviso, o primeiro servidor da USP, em 1993. Apelidado de Jaguar, tinha oito processadores de 40 MHz. "Funciona até hoje", garante o professor, que ainda nos anos 80 foi chamado pela reitoria para explicar uma conta telefônica no valor de US$ 10 mil -gasta em discagens para conexão.

Outro pioneiro foi o jornalista Sérgio Charlab, responsável por uma das primeiras versões on-line de um jornal brasileiro, o "Jornal do Brasil" (www.jb.com.br). "A diretoria me achava um professor Pardal", diz, referindo-se ao personagem inventor. Ele escaneava reportagens publicadas, colocava-as na internet e mostrava aos autores. "Quando o site oficial estreou, o meu já estava no ar há seis meses", conta Charlab. "Meu lema era como o slogan da Nike: "Just do it" (em versão livre, "simplesmente aja')", diz.

Apesar do início quixotesco, a internet brasileira cresceu e conquistou o público -no final do ano passado, 31,9 milhões de brasileiros tinham acesso à rede, segundo o Ibope/NetRatings. "Houve investimentos e captação de profissionais de várias áreas", diz Alexandre Barreto, diretor do iBest, que premia anualmente os melhores sites nacionais.