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Clipping
Veículo: Meira.com
Data: 12/08/2002
Assunto: Internet |
Viagem ao Centro da Internet
Silvio Meira
Quem
está usando seu banco pela Internet, mandando e-mail, teclando num
chat ou lendo as últimas notícias pela rede nem vê, tampouco sente
ou deveria estar preocupado. Mas, para que estes usos sejam possíveis,
um grande número de atores e instituições têm que se articular,
por trás do pano, para que o nome do domínio do banco continue sendo
dele e funcionando corretamente, que os protocolos que são usados, lá,
são entendidos pelo seu browser e outros sites, do lado de cá... No
centro de todo o processo está uma corporação privada, sem fins
lucrativos, criada com o incentivo do governo dos Estados Unidos,
responsável por fazer com que o mundo inteiro, de uma forma ou de
outra e, principalmente, da forma mais suave e transparente possível,
mantenha a rede funcionando.
A ICANN (www.icann.org) foi criada
para dar seqüência ao trabalho de acadêmicos que mantinham, à base
de voluntarismo idealístico, a rede no ar desde que ela era formada
por umas poucas dezenas ou centenas de máquinas. Não deveria ser
surpresa que tem inimigos, poucos, é verdade, mas capazes de promover
um barulho infernal, pela atenção que recebe da mídia americana.
Talvez devesse ter mais inimigos do lado de cá do Rio Grande, já que
é, sem dúvida americana demais: que outro organismo de âmbito
mundial é uma corporação privada de qualquer país?
A ICANN, na verdade, vem cumprindo seu papel paulatinamente, se
estabelecendo no cenário à medida em que se desembaraça dos nós e
armadilhas impostos pelo seu processo de criação e crescimento e
prepara a si própria e a rede para o salto que sem dúvida ocorrerá,
na internet, nos próximos anos. O número de dispositivos on-line
facilmente ultrapassará a barreira dos bilhões e os usuários
humanos do sistema certamente serão sobrepujados por máquinas e
dispositivos de todos os tipos, a nosso serviço, interconectados pela
infra-estrutura mundial de redes. E a infra-estrutura, serviços e
aplicações que ainda vemos de forma tão explícita, hoje, irão
migrando para o "background" de forma sutil mas irrefreável,
até que a rede, em si, passe a ser parte indistinguível do ambiente
em que vivemos. Se der certo, boa parte do crédito terá que ser dado
a ICANN.
Entre os diretores da companhia, um brasileiro: Ivan Moura Campos,
coordenador do Comitê Gestor da
Internet/BR e diretor da Akwan,
ex-secretário nacional de Política de Informática e mineiro de Ciência
e Tecnologia, um dos membros "at large" (eleito por votação
aberta na rede) da diretoria, representa a América Latina e Caribe na
gestão da ICANN. Ivan é membro do Comitê
de Finanças, o que o torna um dos responsáveis por equacionar as
receitas e despesas da organização, algo nada fácil em start-ups,
especialmente quando seu espectro de atuação e potenciais áreas de
atrito e conflito com forças interessadas em outras visões de
articulação e coordenação da internet do que as que a ICANN vem
tentando, com razoável sucesso, imprimir.
Ivan Campos está na internet desde quando o número de computadores
na rede podia ser contado nos dedos das mãos: no começo dos anos 70,
foi para o doutoramento em computação na UCLA, onde os dois
primeiros computadores da rede foram ligados (UCLA e SRI, mais ou
menos às 10:30
do dia 29 de outubro de 1969). Antes, Ivan custeou sua graduação
em engenharia mecânica na UFMG como guarda noturno do Banco do Brasil
e mecânico da scuderia de Toninho da Matta, multi-campeão brasileiro
(e pai de Cristiano) e ainda fez um mestrado em informática na
PUC-Rio.
Nesta entrevista exclusiva, Ivan faz uma viagem ao centro da internet
e fala da atuação, realizações e dificuldades da ICANN até agora,
dos problemas com os Estados Unidos (país e empresas) e os "25
contra" e da importância de brasileiros atuando em instituições
como a ICANN, essenciais para formulações de políticas e padrões
mundiais que, depois, têm impactos econômicos e sociais gigantescos.
Ivan,
como se poderia resumir a atuação da ICANN, em grandes linhas, desde
que você entrou para a diretoria até agora?
A Icann
ainda é, em muitos sentidos, uma startup,
isto é, uma empresa ainda em processo de evolução e maturação. É,
em vários sentidos, um experimento ímpar, o de se fazer gestão
participativa, internacional, na iniciativa privada, de um bem comum:
o sistema de nomes de domínios, os endereços e os protocolos da
Internet. A trajetória destes quase dois anos foi também bastante típica
de empresa jovem: estamos discutindo os limites de sua missão,
estamos reformulando seu estatuto, foram feitos lançamentos de
produtos (sete novos TLDs), seu
orçamento e suas fontes de receita recorrente ainda não
estabilizaram, etc. Apesar
de todas as incertezas e dificuldades, uma experiência absolutamente
fascinante e enriquecedora.
Desde
sua criação em 1998, quais
foram as principais realizações da Icann,
ou seja, o que funcionou?
A Icann
herdou uma situação de total monopólio de registro dos domínios
genéricos por parte da (hoje) VeriSign. Desde então, e em grande
medida pela introdução de um regime competitivo entre registrars,
o preço médio de um nome de domínio para o consumidor final caiu de
US$50 para US$10 por ano.
Além disso, e no nível de registries,
sete novos domínios genéricos foram selecionados e implementados:
.pro, .aero, .museum, .biz, .info, .coop,
e .name, criando alternativas para criação de novos nomes de
domínios, tirando a concentração quase que absoluta sobre o .com.
Foi também produzida, com ampla participação da comunidade,
a chamada UDRP (Uniform Dispute Resolution
Procedure), através da qual, com rapidez e baixo custo,
resolvem-se extra-judicialmente disputas envolvendo nomes de domínios
e marcas. A UDRP diminuiu dramaticamente a prática de registro de
nomes para posterior negociação, atividade anteriormente muito
presente na Internet.
Além disso, é um feito não desprezível
o que já se conseguiu em termos do envolvimento crescente da
comunidade internacional, observável não só através da presença
de diretores oriundos das diversas regiões do planeta, mas também
pelo aumento da participação internacional
nos conselhos das
organizações de suporte (ASO, PSO, DNSO).
A Icann terá um futuro mais promissor quanto maior for o
envolvimento e a participação bem-informada de pessoas de diferentes
países em sua gestão.
E o que deu errado?
Eu diria que ainda
não deu tempo para se declarar que isto ou aquilo "deu errado".
Prefiro falar em termos do que ainda não está funcionando bem, uma
vez que os desafios presentes
são perfeitamente "encaráveis". É preciso lembrar que a Icann
foi criada para que se evoluísse de um regime com forte herança acadêmica,
não comercial, comandada por um indivíduo apenas (Jon Postel),
para um outro, necessariamente mais plural e complexo, em que a
Internet não lembra nem de longe a romântica rede não-comercial dos
primeiros tempos. Os interesses comerciais e financeiros presentes
hoje são consideráveis, ninguém deveria esperar "céu de
brigadeiro" nesta fase inicial.
Não obstante, o maior desafio de curto prazo
ainda não resolvido é a distorção advinda da dominação
quase que absoluta da "agenda" por parte de cidadãos americanos,
empresas americanas e o próprio governo dos Estados Unidos.
Como
assim?
Para
começar, há um pequeno grupo de militantes, em torno de vinte e
cinco, a maioria ou é professor universitário, funcionário de ONG
de direitos civis ou advogado, todos
cidadãos dos Estados Unidos. Dentre eles, vários participaram de um
esforço concorrente à Icann, perderam a concorrência para "ser"
Icann, até hoje não se conformaram com a derrota. Não há nada que
a Icann faça que eles considerem ao menos razoável, tudo é péssimo,
e vêem conspiração em tudo. Aparentemente têm muito tempo à
disposição, alguns deles têm na Icann o tópico de suas pesquisas,
orientam teses de mestrado e doutorado, publicam livros sobre a Icann,
etc. e, com isso, são um grupo de militantes articulados que consegue
bastante atenção da mídia. Mas
é só lá, raramente se vê este
tipo de mobilização fora dos Estados Unidos.
E
o excesso de "presença" de empresas americanas?
Que empresas?
O maior
protagonista nesta vertente é a VeriSign. Ela tem o monopólio dos
domínios .com, .net e .org (este último ela perderá em poucos
meses). A Icann é o único, digamos,
obstáculo entre este monopólio e um clima de maior
"laissez-faire". Às
vésperas de mais uma data de renovação do "Memorandum of
Understanding" entre Icann e
o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, que ocorrerá
em setembro, a VeriSign
tem um pedido pendente na Icann para modificação de seu contrato,
para que ela, VeriSign, possa passar a oferecer um serviço de
"lista de espera" por domínios.
Este serviço poderá gerar receita adicional considerável
para a empresa proponente, e os opositores da proposta alegam que
estariam sendo varridos do mapa na oferta deste serviço (que alguns já
oferecem, não necessariamente igual). É necessário analisar com
toda a cautela, ouvir as mais diversas opiniões, e assim está
fazendo a Icann. Há vários segmentos contra, vários a favor e, como
sempre, caberá ao Board tomar a decisão após produzir toda a
instrumentalização necessária e analisá-la. Entrementes, a
VeriSign está ativamente fazendo lobby no Senado americano,
argumentando, dentre outras, que a Icann está ultrapassando o mandato
para a qual foi criada, etc. Argumentação
nada original ou surpreendente, diga-se de passagem. O problema é o
tratamento "paroquial" da questão, no congresso americano,
fazendo lobby sobre um assunto que, a rigor,
é de escopo e interesse internacional.
E
o governo norte-americano?
Felizmente,
até agora tem se mostrado suficientemente
cauteloso e maduro, principalmente no Executivo, isto é, no
Departamento de Comércio. No legislativo, excetuando-se um ou outro
pronunciamento deste ou daquele senador, tão necessário para dar uma
satisfação a um "folks back home" genérico,
não me parece que o governo dos Estados Unidos vá
"comprar" o discurso destes militantes domésticos, mesmo porque a
batata quente ficaria nas mãos deles, governo americano,
para produzir uma alternativa que não desagradasse a
comunidade internacional. Mesmo assim, não é confortável ver a
Icann tendo que ir testemunhar no congresso americano (e se,
hipoteticamente, fossem
convocados pelo Bundestag, como reagiria a mídia americana?),
principalmente porque a razão principal da convocação é a
barulheira produzida pelos tais vinte e cinco militantes mais uma
empresa, todos norte-americanos. Em outras palavras, a Icann ainda não
atingiu o grau de internacionalização que todos queremos.
O
que mais? Há mais algum problema relevante não resolvido?
O outro
maior problema ainda não resolvido é o de "funding", isto é,
ter um orçamento previsível, adequado em valor, e estável.
A Icann nasceu órfã e, ainda no berçário, teve que "se
virar" para conseguir viabilizar seu orçamento. Continua assim até
hoje, e alguns dos "contribuintes", principalmente ccTLD managers
da Europa, têm sido nada cooperativos nesta discussão. Creio que
teria sido mais justo, menos "morro acima", se um conjunto inicial
de governos, ou o próprio governo americano (que concordou em
instituir a Icann como uma ONG na Califórnia)
tivesse provido um endowment,
isto é, um capital inicial, que teria certamente evitado toda este círculo
vicioso causado pelo orçamento insuficiente, que impõe contratar
poucos funcionários, o que atrasa a análise de questões relevantes
para os registries e registrars,
que provoca instatisfações, que provoca resistência a
contribuir para o orçamento, e assim vai.
Qual
é a relação (há alguma?) entre o que eventualmente deu errado e as
críticas que a ICANN recebe, no momento?
Sim, existe relação.
Uma das críticas
com que concordo é que o processo decisório na Icann é
frequentemente moroso. Isto é causado principalmente por se ter menos
staff que o necessário, o que é causado por orçamento insuficiente,
como já disse. Outra razão é porque é necessário "consultar as
bases", lá representadas pelas três organizações de suporte (ASO,
PSO, DNSO), dentre outras, e isto toma tempo. Processos de decisão
onde a expectativa seja produzir consenso nem sempre convergem, e a
Icann aprendeu isto "the hard way".
O atual processo de re-estruturação e reforma foi disparado pela própria
Icann exatamente para eliminar estes problemas crônicos de discussões
intermináveis, processos não-convergentes e frustração recorrente.
Os novos processos em discussão têm, entre outras características,
mecanismos de timeout, isto
é, as sugestões e os possíveis consensos terão que ser
apresentadas ao Board para decisão dentro de um certo tempo, pré-definido.
Dá
pra se fazer uma lista de quem são os inimigos da ICANN e por que tal
inimizade parece tão séria?
Eu
sempre gosto de dizer, em tom mais ou menos jocoso, que
são uns vinte e cinco. É por aí.
A maioria é ou professor universitário, ou funcionário de
ONG de direitos civis ou advogado, como disse. São todos americanos
e, de novo, há uma surpreendente presença de advogados.
Antes que você me peça, já digo que NÃO vou listar os
nomes, por motivos óbvios. É fácil descobrir quem são: toda matéria
anti-Icann que sai na imprensa americana tem como fonte um deles. São
sempre os mesmos, basta contar.
Quanto à possível seriedade desta oposição,
e para ser equânime, alguns destes
indivíduos são bem intencionados. O que lhes falta, além de
senso de humor, naturalmente, é
a mais elementar noção de que o mundo não é os Estados Unidos, que
as prioridades deles não são necessariamente as nossas, etc. Esta
atitude de "olhar para o umbigo" tem aumentado visivelmente nos últimos
tempos, e a atual administração não está fazendo nada para aliviar
a impressão de arrogância que geralmente vem geminada com este US-centrism.
Os
inimigos da ICANN estariam trabalando para a ITU assumir o lugar da
ICANN ou querem, simplesmente, a continuidade de um status quo que
interessa apenas a algumas instituições e indivíduos americanos?
Acho que
ninguém, inclusive os tais desafetos da Icann, quer a ITU
substituindo a Icann. Quando o Stuart Lynn (CEO da Icann)
lançou um documento conclamando a comunidade para reformar a
Icann, ele opinou que uma
das formas de se obter representatividade internacional seria o maior
envolvimento de países, que poderiam indicar representantes, etc.
Esta idéia hoje já mudou bastante, e o GAC (Governmental
Advisory Committee) se
propõe a preencher em parte esta missão.
A minha impressão é que, entrementes,
a ITU enxergou aí
uma possibilidade para exercer um papel de representante de TODOS os
países, na qualidade de organização internacional, sede em Genebra,
etc., e assumiu uma atitude mais, digamos, pró-ativa.
Não sei se a ITU irá eventualmente desempenhar um papel específico
na estrutura da Icann. O que posso
afirmar que ela não é avaliada por ninguém, pelo menos fora de seus
próprios muros, como uma ALTERNATIVA
à Icann.
Que
progressos, do ponto de vista de reforma na ICANN, houve na reunião
de Bucareste? Tal visão foi unânime ou houve dissidentes?
O maior
resultado obtido na reunião foi, sem dúvida, a aprovação do
"Blueprint for Reform", documento aprovado com o voto unânime dos
diretores. Antes que você pergunte, o Karl Auerbach não foi a esta
reunião também e, em
consequência, foi o único
faltante às votações. Este
documento estabeleceu as bases de um processo de evolução e reforma
que terá seu ápice na reunião de outubro de 2002 em Shanghai.
Um dos pontos mais difíceis desta discussão é o casamento entre
missão e representatividade no Board.
O mais curioso nisto tudo é que as pessoas que defendem que a
Icann deveria ter uma missão exclusivamente técnica,
desprovida de policymaking,
são as mesmas que querem eleições de caráter mundial, democracia
de voto direto, etc.
Em minha opinião, e já externei isto publicamente mais de uma
vez (em Bucareste também), se a missão fosse puramente técnica, não
haveria necessidade de eleições, seriam até mesmo indesejáveis. A
título de exemplo, ninguém gostaria de eleger as pessoas que definem
os procedimentos para controle de tráfego aéreo. Todos querem que
sejam escolhidos os melhores, com critérios técnicos, e não elegê-los
com o voto direto de, por exemplo, todos os passageiros de avião do
mundo. Mesmo esquecendo deste "detalhe",
o problema mais difícil, até agora sem solução, é como
caracterizar a população votante, credenciá-la com "título de
eleitor" e ter eleições
que não estejam sujeitas a manipulação, fraude ou captura. Este
processo de discussão estava consumindo todas as energias da Icann,
sem que se avançasse em produzir propostas factíveis.
Imaginando
que a ICANN não consiga resolver a contento seus problemas atuais e
tenha que ser desmontada, quem poderia assumir seu papel e quais
seriam os riscos para a governabilidade da Internet?
A Icann
está dando passos largos para resolver estes problemas e, em minha
opinião, vai resolvê-los nos próximos meses. A reunião de outubro,
em Shanghai, será definidora do cenário futuro. Não vejo outra
instituição que possa assumir seu papel e, na improvável
eventualidade de o Departamento de Comércio dos Estados Unidos
decidir não renovar o Memorando de Entendimentos com a Icann,
haveria fortes questionamentos internacionais quanto a US-centrism.
Quão
importante está sendo, para Ivan Moura Campos, o Coordenador do Comitê
Gestor da Internet Brasil, e para o próprio CGI.br, sua presença na
ICANN? O que temos aprendido? O que estamos evitando? O que estamos
fomentando?
Pessoalmente,
uma experiência muito enriquecedora, aprende-se uma enormidade. Além
disso, há o privilégio de conviver, no Board, com pessoas daquele
quilate. Mesmo discordando durante os debates, e o fazemos com freqüência,
há sempre o prazer do argumento competente, bem articulado. Ninguém
ali é trivial.
Institucionalmente, para o Brasil, isto é importante porque não
ficamos alijados dos processos definidores de políticas, normas, padrões,
e isto tem conseqüências mercadológicas importantes.
Não se pode também esquecer a importância, do ponto de vista
de imagem de país competitivo, de ter pessoas em cargos de liderança
em nível internacional.
Além disso, tenho um prazer adicional de estar registrando a presença
latino-americana, e em particular a brasileira, na instituição
definidora das regras de funcionamento para a Internet em todo o
mundo. O Brasil tem aumentado muito sua presença em organismos
internacionais, afastando-se de um relativo absenteísmo de décadas
anteriores, e me orgulho de fazer parte deste esforço.
Fonte: Meira.com
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