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Veículo: Módulo Security Magazine
Data: 28/08/2002
Assunto: Segurança |
Saiba como criar um CSIRT
Luis Fernando Rocha
Você sabe o que significa um
CSIRT? Em inglês a sigla CSIRT significa Computer Security Incident
Response Team. Em português, ela é traduzida para Grupo de Resposta
a Incidentes de Segurança.
No Brasil, uma das maiores referências nesta área é o NIC BR
Security Office (NBSO), criado em 1997 pelo Comitê Gestor da Internet
no Brasil para coordenar e prover informações sobre incidentes de
segurança existentes na web brasileira.
Nesta semana, o NBSO publicou dois importantes documentos abordando
aspectos gerais dos CSIRTs. Sobre o assunto, conversamos com Cristine
Hoepers, analista de segurança sênior do NBSO. Nesta entrevista,
Hoepers revela as principais questões que envolvem a criação, o
desenvolvimento e a manutenção de um grupo de resposta a incidentes
de segurança. Confira.
Módulo Security Magazine: O que significa em termos gerais um
CSIRT?
Cristine Hoepers: Um CSIRT é um grupo ou organização que provê
serviços e suporte para um público bem definido, para prevenção,
tratamento e resposta a incidentes de segurança. O público, ou
comunidade atendida, é definido pelo próprio CSIRT. Alguns grupos
atendem somente a administradores de redes, enquanto outros prestam
serviços a um número mais amplo de pessoas dentro da instituição
em que foram formados.
Módulo: Por que criar um CSIRT? Há alguma exigência para sua
criação (tamanho de rede, ramo de atividade de empresa ou instituição)?
Cristine: Cada instituição deve fazer uma análise de sua estrutura
e avaliar se há interesse em instalar um CSIRT. O nosso trabalho tem
sido mostrar as vantagens de uma instituição criar o seu CSIRT. O
grupo pode ter pessoal dedicado em tempo integral ou ser formado por
diversas pessoas que já atuam na instituição e que dedicam tempo
parcial às tarefas de um CSIRT.
Hoje em dia, qualquer instituição que julgar necessária a instalação
de um grupo de resposta a incidentes deve fazê-lo. No Brasil ainda são
poucas as instituições que tem um grupo dedicado às tarefas de um
CSIRT, mas no exterior podemos ver CSIRTs que atendem países,
universidades, bancos, operadoras de cartão de crédito e até a Cruz
Vermelha americana.
Módulo: Quais as vantagens da criação de um CSIRT?
Cristine: A grande vantagem de uma instituição possuir um CSIRT é
que ela terá um grupo dedicado exclusivamente para lidar com
incidentes de segurança e sua prevenção.
Com o treinamento adequado este grupo é capaz de prover recuperação
rápida e eficaz em casos de incidentes de Segurança, com a vantagem
de geralmente fazer a recuperação preocupada com fatores como a
preservação de evidências e entendimento das razões do incidente,
tendo assim maiores condições de avaliar a extensão do problema.
Como o grupo está sempre atualizado no que diz respeito à segurança
da informação, ele também é o candidato natural a fazer o trabalho
pró-ativo e organizar boletins internos para a instituição, atuando
como ponto de central no que diz respeito à segurança.
Módulo: Vocês têm algum indicativo sobre a quantidade de CSIRTs
no Brasil? Existe troca de informações entre os já existentes?
Cristine: Podemos contabilizar cerca de 15 grupos brasileiros que têm
exercido as funções básicas de um CSIRT.
A comunicação entre estes grupos não é muito fluida, em parte por
uma questão cultural. Este é um ponto que sempre frisamos: o pessoal
de segurança deve criar redes de confiança e cooperar com os grupos
em que confia. Ou seja, incentivamos a comunicação entre os grupos
desde que exista confiança mútua.
O NBSO já promoveu algumas reuniões em que estes grupos tiveram
chances de se conhecer e trocar informações; o que esperamos é que
a cooperação ocorra naturalmente entre os grupos, pois não se pode
forçar este tipo de atitude.
Módulo: Em janeiro de 1999, o GT-S do Comitê Gestor publicou um
documento relacionado ao tema. O que falta para o crescimento desses
grupos no país?
Cristine: As áreas de segurança e resposta a incidentes ainda estão
em desenvolvimento no país. Nós tivemos um grande avanço nos últimos
anos: em 1999 tínhamos três, talvez quatro, grupos de resposta a
incidentes no país, hoje contamos com 15.
De qualquer forma é importante frisar que se um grupo é criado sem o
apoio total da instituição dificilmente ele terá sucesso. Nós
acreditamos que quanto mais grupos de resposta a incidentes forem
criados, melhor será a situação - mas desde que estes grupos tenham
apoio e condições para desenvolver seu trabalho.
Módulo: Qual o papel do NBSO neste processo?
Cristine: O NBSO tem feito diversas ações com a intenção de
fomentar a criação de grupos de resposta a incidentes, como
palestras esclarecendo qual o papel de um grupo de resposta a
incidentes e a tradução de parte do material de referência na área.
Nós também auxiliamos, de forma individual, grupos que estejam se
formando ou que queiram melhorar sua atuação. Normalmente, nos
reunimos com as partes interessadas procurando ver qual o melhor
modelo de CSIRT, quais as necessidades da instituição, entre outros
itens.
Módulo: Qual material de consulta para referência na hora da criação
de um CSIRT no país?
Cristine: Toda a documentação sobre implantação de CSIRTs está
disponível na Internet. O NBSO reuniu links para este material em
nossa página.
Grupos em fase de criação são encorajados a entrar em contato
conosco, não só para obter auxílio, mas também para que possamos
iniciar o processo de trabalho cooperativo e para que possamos
apresentar estes grupos para os outros já existentes.
Módulo: Que tipo de profissional está habilitado para atuar nesta
área? Quais são os requisitos exigidos (conhecimento de software,
hardware etc)?
Cristine: É consenso entre os profissionais que atuam em CSIRTs que o
requisito básico é a ética. O relacionamento entre os CSIRTs se dá
na base da confiança mútua e quando existe a mínima chance de um
grupo possuir em seu quadro um profissional que tenha tido, em alguma
fase de sua carreira, um envolvimento com atividades de hacking, o
grupo todo passa a não ser considerado confiável.
Quanto à parte técnica, é importante que o profissional tenha sólidos
conhecimentos de TCP/IP e experiência com administração de redes.
Além disso, é preciso que a instituição permita que o pessoal do
CSIRT tenha acesso a sistemas similares àqueles utilizados pela
comunidade atendida pelo CSIRT. O usual é que o grupo conte com um
laboratório onde possa fazer testes e instalar os sistemas com os
quais poderá lidar em casos de incidentes.
Módulo: Qual o custo para criação de um CSIRT? Há necessidade
de compra de máquinas e software específicos?
Cristine: O CSIRT precisa ter uma infra-estrutura de rede isolada do
resto da organização, assim como precisa de servidores exclusivos,
de acesso restrito ao pessoal do CSIRT. É muito importante que os
dados do CSIRT sejam tratados da forma mais segura possível.
Quanto a software, normalmente os CSIRTs desenvolvem seus próprios
sistemas de tracking de incidentes e sistemas para armazenamento das
informações. Não se tem conhecimento de nenhum CSIRT que utilize um
produto sem nenhuma alteração ou adição feita pelo grupo. As
características do trabalho de resposta a incidentes são muito
peculiares e ainda não existem softwares voltados para esta área.
Módulo: Quais são as referências no exterior sobre grupos de
resposta a incidentes de segurança?
Cristine: Para quem busca treinamento, aconselhamos que vejam os
cursos dados pelo pessoal do AusCERT (http://www.auscert.org.au/)
e do CERT Coordination Center (http://www.cert.org/csirts/).
Para listas de CSIRTs pode-se consultar os seguintes sites:
Grupos filiados ao FIRST
Grupos da região da Ásia
e Pacífico
Grupos Europeus
Fonte: Módulo
Security Magazine
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